Mostrar mensagens com a etiqueta PuraMente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta PuraMente. Mostrar todas as mensagens

Puramente #9 - Outliers


Nome: Outliers - The Story of Success

 

Autor: Malcom Gladwell

 

Data: Novembro de 2008 - Little, Brown and Company

 

Frase: "Success follows a predictable course"

 

Keywords: Vantagem Inicial; Oportunidade; Regra das 10 mil horas; Legado Cultural; Discurso Mitigado


Apreciação: ***

 


Este é um livro sobre o sucesso e desempenhos extraordinários. Mas não confundir com um manual de "auto-ajuda", de relatos biográficos ou uma lista de fórmulas milagrosas. 


Segundo o autor, o "sucesso" é resultado de um número reduzido de detalhes. Basta que um desses factores se altere para que duas pessoas aparentemente com o mesmo potencial tenham percursos muito diferentes.


Para Malcom Gladwell há um enviesamento na forma como o sucesso é visto pela sociedade, normalmente como um processo de mérito individual. Pelo contrário, os desempenhos extraordinários são um produto do mundo, do contexto. Dependem de um certo talento natural, de alguma inteligência analítica, mas o que faz a diferença normalmente são as oportunidades, alguma sorte, muito treino, legado cultural e a chamada "inteligência prática" - saber o que dizer e a quem, quando dizê-lo e provocar o efeito pretendido com o que se diz ou faz. É dado o exemplo de como o indivíduo com o QI mais elevado dos EUA - Christopher Langan - tem uma vida aquém das expectativas.


É um livro bastante fácil de ler. Pode agradar a vários públicos já que, para além dos argumentos e conclusões do autor, há muitas descrições, detalhes e histórias. Aliás isso pode ser visto como um defeito em "Outliers", que poderia ter sido escrito com metade das páginas se a intenção fosse só transmitir as ideias. O livro está dividido em duas partes. Na primeira fala-se da Oportunidade e na segunda sobre o Legado. É nesta segunda parte que aparecem 50 páginas "obrigatórias" - Gladwell explica o que causa uma grande parte dos acidentes de avião, ligando-os ao legado cultural e ao discurso mitigado dos intervenientes. 


Apesar do enorme sucesso e "buzz" que já regista nos EUA, não me parece que vá ter o mesmo impacto disruptivo de "Blink" ou "The Tipping Point", livros em que o tom "contra a corrente" também está presente.


Em resumo, o "sucesso" segue um caminho previsível, não sendo sempre os mais inteligentes a alcançá-lo. Os "outliers" são aqueles a quem foram dadas oportunidades e tiveram a força e a capacidade de as aproveitar.





Publicada porUlf à(s) 04:38 1 comentários  

Puramente #8 - Cisne Negro


Nome: O Cisne Negro



Autor: Nassim Taleb



Data (Original): Abril 2007



Frase: "O surpreendente não é a magnitude dos nossos erros de previsão, mas o facto de não termos consciência dos mesmos"



Keywords: Cisne Negro; Platonicidade; Previsão; Narrativa, Assimetria, Não-Conhecimento


Apreciação: ****



Depois de "Fooled by Randomness", Nassim Taleb volta com "O Cisne Negro", uma obra entre o livro de filosofia e o ensaio de gestão contemporânea.

O autor define Cisne Negro como um acontecimento que reúne três atributos: raridade, impacto extremo e previsibilidade retrospectiva (presentes nas Grandes Guerras, no 11/09 ou no crash de 1929) - considerados fundamentais, na medida em que são os "saltos da evolução" (que não se dá com as pequenas mudanças iterativas). Taleb considera que o "mundo civilizado" trabalha segundo a falsa convicção que os seus instrumentos podem medir a incerteza e a previsão é uma ciência. O livro aborda de forma frontal a cegueira face à aleatoriedade, considerado um problema endémico de natureza social.


A lógica bem fundamentada de Taleb torna o que não sabemos mais importante do que sabemos ao ponto de considerar mais relevantes os livros que não lemos do que os que já lemos. É no não conhecimento que existe a probabilidade de ocorrência de um Cisne Negro, o factor que não está no espectro da previsão, abrindo-se assim caminho ao conceito out of the box. O autor – que considera que ler jornais piora o conhecimento do mundo - conclui que o exercício da previsão realizado por analistas económicos não tem valor, porque ignora o imprevisível (Extremistão), onde os milestones ocorrem.


O livro, que tanto dá exemplos de Wall Street como cita Popper, Balzac e Dickens de forma recorrente, merece uma leitura calma e pausada, mas basta uma passagem pelo prólogo para se retirar o main value. Fundamentalmente, tomar consciência do que não se sabe e do risco e condicionamento que esse não-conhecimento pode proporcionar. No fim, fica o receio de que o autor esteja excessivamente certo e a navegação que conhecemos ignore os factores que de forma mais relevante condicionam o futuro.


Artigo publicado no Jornal de Negócios, dia 3/3/2009

Publicada porSilva à(s) 08:37 0 comentários  

PuraMente #7 - Fooled by Randomness



Nome: Fooled by Randomness: The Hidden Role of Chance in the Markets and in Life


Autor: Nassim Nicholas Taleb

Data (Original): Outubro de 2001 - W. W. Norton & Company

Frase: "Ninguém aceita a aleatoriedade no seu sucesso, só nos seus fracassos"

Keywords: Aleatoriedade, Darwinismo, Risco, "Cisne Negro", Karl Popper

Apreciação: *****


Nassim Taleb está agora muito em voga, sobretudo depois do best seller "O Cisne Negro" e de algumas das suas preocupações se materializarem durante a crise financeira.  Taleb é um matemático e trader de opções, mas o livro não é sobre "mercados". Fala-se de evolução, saúde, ciência, cinema, literatura, filosofia e muito mais. 


A ideia central do autor é que se subestima o papel da aleatoriedade ou do acaso. Existe uma predisposição biológica para estabelecer uma relação de causa-efeito, mesmo quando não existe. As superstições são um bom exemplo desta situação. O maior problema é que essa ilusão tem consequências nos processos de decisão, avaliação de riscos e até na percepção do sucesso. "Ninguém aceita a aleatoriedade no seu sucesso, só nos seus fracassos". 


Apesar da sua preparação técnica, Taleb é muito céptico quanto aos processos de inferência estatística, considerando muito imprudente generalizar ou prever o futuro tendo como base as observações passadas. A indução até pode servir para escolher as "apostas" a fazer, mas é inútil para gerir riscos (e evitar os "cisnes negros"). Uma das "ideias-chave" é que "os eventos raros são muito subavaliados".


O livro tem duas partes. Primeiro fala-se de como as pessoas não se apercebem da aleatoriedade e tendem a ser enganadas por ela. Na segunda parte são dados exemplos de enviesamento causados por essa ilusão. O livro é divertido e deve ler-se todo. Taleb escreve bem, apesar de não conseguir disfarçar o seu enorme ego.


O autor assume-se como um céptico, na linha de Karl Popper, negando a existência de teorias definitivamente verdadeiras. Defende o darwinismo económico, salientando uma subtileza - o darwininsmo não assenta na sobrevivência, mas na reprodução. Ora estando esta última exposta a alguma aleatoriedade, o processo evolutivo perde linearidade.


O final deste "Fooled by Randomness" deixa-nos um conselho: "O acaso só não consegue controlar o nosso comportamento. Boa sorte!".


Este é um dos melhores livros que já li. É intemporal e o seu impacto na forma como nos relacionamos connosco e com o mundo é duradouro.


Filipe Garcia
Economista da IMF
Artigo publicado no Jornal de Negócios de 25 de Fevereiro de 2009









Publicada porUlf à(s) 06:51 1 comentários  

PuraMente #6 - A Estratégia do Oceano Azul


Nome: A Estratégia Oceano Azul


Autor: W. Chan Kim e Renée Mauborgne

Data (Original): Dezembro 2005

Frase:"Criar um novo espaço de mercado não disputado que torna a concorrência irrelevante"

Keywords: Oceano Azul vs Oceano Vermelho; Curva de Valor; Redução; Eliminação; Criação; Elevação.

Apreciação: *****

A Estratégia do Oceano Azul é um livro incontornavelmente obrigatório. Desde a sua publicação original, tornou-se numa referência mundial de estratégia e inovação. É uma obra que vale pela ideia original da sua proposta, que vem acompanhada de um modelo surpreendentemente maduro de aplicação.

Destinado a todos, mas sobretudo para os gestores cujas empresas respiram um mercado altamente concorrencial, o livro (Editora Actual - Maio 2007) – postula que a única forma de vencer a concorrência é deixar de tentar vencer a concorrência – é parar de concorrer. Os autores apelidam os mercados concorrenciais de "oceanos vermelhos", numa analogia ao sangue que resulta de uma disputa aguerrida, espaço onde as empresas não serão sustentáveis, independentemente da sua capacidade de vencer ou não os que com eles disputam o mercado.

Um Oceano Azul é o espaço de todas as indústrias que ainda não existem e que são potenciais propostas de valor para os clientes. Aqui, em vez de empresas na procura desesperada de um aumento da sua quota de mercado, encontramos os que criam a procura, com elevados níveis de crescimento e rentabilidade, tornando a concorrência irrelevante. Depois de definirem claramente esta diferenciada visão do mercado e respectivo espectro da proposta estratégica, os autores dedicam 200 páginas a explicar o framework (curva de valor) e a formulação e implementação da estratégia, citando inúmeros exemplos de oceanos azuis, como o Cirque Du Soleil, Swatch, Blockbuster ou Netjets.

É difícil adjectivar esta obra, pela sua extrema qualidade e intemporal utilidade. Estrondosamente genial seria justo, mas só um termo da língua original fica à altura do livro: "Unputdownable".

Pedro Barbosa
Docente no IPAM

Publicada porSilva à(s) 03:28 8 comentários  

PuraMente #5 - "How to Talk So People Listen"




Nome: How to Talk so People Listen


Autor: Sonya Hamlin


Data: Dezembro de 2005 - Collins Business


Frase: "How to talk so people listen" (o próprio título)


Keywords: Mensagem visual; Generation gap; What's in It for me?; O medo do palco;


Apreciação: ***



A mudança condiciona a comunicação. Os ambientes electrónicos ganham espaço e têm alterado a nossa capacidade de falar e, tão ou mais importante, de ouvir. Torna-se necessário melhorar a abordagem verbal e visual para quase todas as situações, desde fazer uma apresentação, impressionar um cliente, causar impacto numa reunião ou numa conversa informal. Porque os outros não sabem o que somos, o que temos para dizer, ou simplesmente não estão à partida alinhados com a nossa mente... “comunicar é preciso!”.

Este livro de Sonya Hamlin pretende ser um guia prático para ajudar o leitor a ser um comunicador mais eficiente. Tenta-se fazer algum enquadramento dos processos e contextos comunicacionais, passando-se por uma série de dicas práticas, sempre num discurso que desdramatiza o processo de comunicação. Valoriza-se o papel do trabalho de preparação das apresentações em detrimento do “talento natural” como factor crítico de sucesso.

O livro divide-se em dez capítulos e está bem estruturado, sendo mais do que um "self-help book". O índice é desagregado e permite consultar rapidamente um tópico ou assunto em concreto. O 2º capítulo é importante e uma das razões porque o livro merece destaque. Nele descrevem-se as "4 gerações" - Seniors, Baby Boomers, X e Y. Há que estar atento e consciente às diferenças entre cada grupo para definir as estratégias de comunicação mais eficazes.

O título é feliz porque transporta para a ideia de que a comunicação é um processo multilateral em que se torna necessário colocar o receptor no centro – do "outro lado" existe sempre a pergunta: "o que tenho eu a ganhar em ouvir-te?". Outra mensagem a reter é a necessidade de tornar a comunicação mais visual para alavancar as possibilidades de recordação futura. Há ainda capítulos inteiros sobre métodos de preparação e concretização de apresentações e como vencer o "medo de palco".

Aconselha-se usar um pouco de "filtro" já que o livro é pensado na realidade norte-americana.

Filipe Garcia
Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Publicada porUlf à(s) 05:36 0 comentários  

PuraMente #4 - "Inside Steve´s Brain"




Nome: Inside Steve´s Brain

Autor: Leander Kahney


Data: Outubro 2008


Frase: "The Goal was never to beat the competition, or to make a lot of money. It was to do greatest things possible, or even a little greater"

Keywords: Steve Jobs; Apple; simplicity; unprecedent attention to detail; focus

Apreciação: ***


Inside Steve´s Brain não é, ao contrário da maioria das obras sobre Steve Jobs, um espaço dedicado ao culto do seu comportamento simultaneamente genial e instável: ao invés, trata-se de uma obra dedicada a estudar a mente de Jobs, numa óptica de exclusividade de tácticas, que revelam que o elitismo de um pensamento pode gerar os resultados mais simples possíveis, desde que exista sempre uma estratégia de enfoque. E "enfoque significa dizer não".


Kahney explora o cocktail de sucesso de Jobs e das suas Apple e Pixar: simplicidade, conveniência e diferença. Como pano de fundo, um quase obsessivo controle dos detalhes, um enfoque no estritamente necessário quer no produto quer na empresa (gestão de core e outsourcing do side stuff), e sobretudo uma politica de risco como forma de incentivar inovação genuína.



O livro aborda ainda a diferença entre a "pure science" e "applied science" e as consequências de deste tipo de inovação na eficácia das empresas, bem assim como comporta um autêntico manual sobre gestão e design do produto e sobre visual merchandising e concepção de espaços comerciais desenhados não para a venda de curto prazo, mas para a conveniência e superação de expectativas.



A gestão do silêncio e dos timings e uma politica de informação "need-to-know-basis" contrastam com uma orientação de meritocracia e de "champagne milestones". O livro espraia-se por momentos deliciosos da gestão Jobs, mas encerra igualmente importantes lições em áreas como o Recursos Humanos, onde o CEO da Apple prefere um "A Team" curto , fiável e confiável e aposta tudo em contratar o melhor dos melhores. Ou ainda melhor que isso…


Pedro Barbosa
Docente do IPAM
Artigo publicado no Jornal de Negócios em 3 de Fevereiro de 2009


Publicada porUlf à(s) 13:12 0 comentários  

PuraMente #3 - "Marketing Metaphoria"



Nome: Marketing Metaphoria

 

Autores: Gerald Zaltman e Lindsay Zaltman

Data: Abril de 2008 - Harvard Business Press

Frase: "We are deeply alike"

Keywords: Metáforas; Consumidor; Conceptual Blending; Deep Thinking;

Apreciação: ***

 

Gerald Zaltman é um dos "famosos" de Harvard, reconhecido pelos trabalhos sobre representação do pensamento. Depois de "How Customers Think" (2003), Zaltman continua a tentar compreender os processos de escolha dos consumidores.


No livro, recomendado por Kotler, as "Deep Metaphors" são descritas como filtros que simplificam e estruturam. Estão associadas a emoções/necessidades básicas e aos valores de base. As metáforas têm aplicação universal, indiferentes à localização, origem e etnia dos consumidores. O autor considera que as diferenças entre os indivíduos são sobrevalorizadas e segmenta-se em excesso, quando há evidências de que somos surpreendemente semelhantes.


A utilização das "Deep Metaphors" permite colocar o consumidor no centro, facilitando a segmentação, design de produtos, ideias e ambientes, posicionamento e comunicação. É um "framework" para comunicar eficientemente, criar ligações emocionais e ultrapassar o "say-mean gap" - frequentemente o que os consumidores dizem não é o que pensam.


Zaltman afirma que os processos de tomada de decisão efectuam-se ao nível do inconsciente e destaca 7 "gigantes": Equilíbrio, Transformação, Viagem, Ligação/Pertença, Recipiente, Recurso e Controlo. Quase tudo envolve pelo menos dois destes "gigantes". Por exemplo, ao comprar estamos numa "viagem/aventura" e numa busca por "transformação".


O livro é importante para estrategas e obrigatório para profissionais de marketing. A leitura é fácil, com algumas repetições, mas surpreende pela simplicidade e insight. Uma forma eficiente de abordar o livro é ler os dois primeiros capítulos e o último. Depois aprofundar cada uma das metáforas nos capítulos de 3 a 9.


Zaltman fala da complementaridade de disciplinas, do exercício da curiosidade e do tempo a dedicar ao pensamento profundo - tarefas essenciais para qualquer gestor.


Filipe Garcia

Economista da IMF, Informação de Mercados Financeiros

Publicado no jornal de Negócios em 27 de Janeiro de 2009

Publicada porUlf à(s) 02:48 0 comentários  

PuraMente #2 - "Hot, Flat and Crowded"



Nome: Hot, Flat and Crowded
Autor: Thomas Friedman
Data: Novembro 2008
Frase: "The hour is late, The stakes couldn't be higher, the project couldn't be harder, the payoff couldn't be greater"
Keywords: Globalização; Code Green; Convergência de "hot, flat, crowded"; Liderança dos EUA
Apreciação: ****

Depois da obra "O Mundo é Plano"(05), livro mais lido dos últimos anos e que estudava a globalização de uma forma pragmática e muito real, o incontornável Thomas Friedman (colunista do The New York Times e vencedor de três prémios Pulitzer) volta com Hot, Flat and Crowded. Entre os que esperaram o seu pré lançamento, havia algum receio que a obra fosse "mais do mesmo", para tirar proveito financeiro do auge da sua obra anterior, que entretanto entrou em fase madura na maioria dos países evoluídos (ainda se encontra nos tops em alguns outros). Felizmente, tal suposição não se confirmou. A obra tem vida própria.
O contexto do livro é o do problema global que o mundo tem enquanto à sua sustentabilidade, face ao seu aquecimento progressivo, imparável degradação ambiental e crescimento demográfico. A obra destaca-se por oferecer soluções, e por considerar que este problema é uma oportunidade para a os Estados Unidos conduzirem a necessária revolução e assim encontrarem uma forma natural de liderança mundial, em substituição do poder das armas que voltou a falhar no Iraque.
O autor defende um "Code Green", em que os Estados Unidos sejam lideres em sistemas de eficiência energética e energia "limpa" e uma inspiração de ética de conservação e sustentabilidade do mundo enquanto lugar habitável e civilizado, advogando que "se queremos as coisas como estão, muitas coisas terão de mudar".
O livro, que critica a atitude "dumb as we wanna be" e a apatia geral dos americanos tem o seu centro de gravidade no desenvolvimento de uma politica que combata os problemas que surgem da convergência de três factores : "hot, flat and crowded", sendo uma obra de importante leitura, apesar do seu exagerado americanismo.

Pedro Barbosa
Docente do IPAM

Publicada porSilva à(s) 14:54 0 comentários  

PuraMente #1 - "O Mundo é Plano"

Nome: O Mundo é Plano


Autor: Thomas Friedman

Data (Original): Abril de 2005

Frase:"Todos têm a oportunidade de entrar no jogo"

Keywords: Concorrência Global; Foco nas Aptidões; Mudança e Oportunidade; Outsourcing; Insourcing; Supply-Chaining; Globalização

Apreciação: ****


"O Mundo é Plano" não se pode considerar uma novidade. Já foi lido por muitos milhões de pessoas e mesmo em Portugal goza de alguma popularidade. Se o livro já foi importante para ajudar a perceber o alcance da globalização numa conjuntura de crescimento económico, volta a ser obrigatório ler ou reler para entender hoje o espectro e velocidade da crise financeira e económica instalada.


Destinado a todos sem excepção, mas sobretudo aos que de uma forma imparcial tentam entender o mundo, o livro fala de uma série de eventos que resultaram numa transformação histórica. Actualmente existem menos obstáculos a todos os níveis, sendo que a distância e as fronteiras perderam muita da sua relevância. Dessa transformação resulta um conjunto de oportunidades. Ou seja, a globalização não é geradora de pobreza e injustiça, mas antes nivela o mundo. Promove maior igualdade de oportunidades, sendo possível concorrer no mercado aberto focando nas aptidões próprias.


Este best seller de Friedman tem mais de 500 páginas, mas o leitor fica mais do que esclarecido lendo apenas a primeira parte - "Como o mundo se tornou plano" (190 pág.). Mesmo assim sujeita-se a algumas repetições, mas que não são demasiado maçadoras por se tratarem de exemplos interessantes. O autor enumera dez eventos que mudaram o mundo, sendo os mais importantes a queda do muro de Berlim e o progresso tecnológico em sistemas de informação. Friedman apoia a sua argumentação na observação empírica e na ideias de David Ricardo - a especialização e a troca contribuem para o bem comum.


Vale a pena conhecer ou voltar a este livro para compreender porque a crise actual é global, propagando-se em dias a todo o mundo e reconhecer que a teoria do "decoupling" dos países emergentes era irrealista.


Filipe Garcia

Economista da IMF

Artigo publicado no Jornal de Negócios em 13 de Janeiro de 2009


Publicada porUlf à(s) 16:35 0 comentários