Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Ferreira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Luís Ferreira. Mostrar todas as mensagens
Nós, eles e os outros
sexta-feira, 6 de março de 2009

Recordo uma frase atribuída a Almeida Santos: “para os amigos, tudo; aos inimigos, nada; para os outros? Que se cumpra a lei!”.
Nós – iluminados, poderosos e influentes – estamos acima desta maralha, comezinha e pouco inteligente que atrapalha a nossa vocação providencial e pede explicações que nunca entenderiam. Temos o poder; não receamos usá-lo como nos convier. Só assim é que “isto” tem futuro – somos nós que fazemos o país andar!
Eles, opositores, sindicatos, professores, médicos e juristas, economistas que alertam, empresários com voz própria, os que despedem, comentadores que não fazem propaganda e jornalistas que investigam, são todos uns chatos. Não percebem a nossa missão, não veneram os nossos heróicos feitos, conduzem uma campanha negra. Eles não valem nada!
Os Outros, coitados, como sempre pagam a factura. Desempregados e empregados (sobretudo os públicos, que deviam estar gratos), empreendedores que ficam sem rede (e deviam ter mais juízo), contribuintes registados (que esprememos), pais preocupados e filhos de futuro incerto. Existem para que a lei se cumpra!
Redutora e simplista, esta visão “nós/ eles” embarca numa conversa de inimigos a abater e alvos a conquistar.
Com o advento do relacional, onde a sedução, o envolvimento e a partilha são os argumentos, é preciso congregar esforços e unir vontades para dar a volta – apelar a um espírito de missão colectiva não compaginável com um discurso sectário. O “yes, we can” de Obama não é um exemplo por demais evidente?
Com o advento do relacional, onde a sedução, o envolvimento e a partilha são os argumentos, é preciso congregar esforços e unir vontades para dar a volta – apelar a um espírito de missão colectiva não compaginável com um discurso sectário. O “yes, we can” de Obama não é um exemplo por demais evidente?
Publicado no Jornal "Meia-Hora" em 6-Mar-2009.
Publicada porSilva à(s) 03:34 0 comentários
Etiquetas: Luís Ferreira
Presos no meio
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Mesmo para os mais distraídos começa a tornar-se evidente que não podemos continuar a importar o nível de vida que nos habituámos nos últimos anos. Temos usufruído de rendimentos bastante superiores à riqueza que criamos, só possíveis pelo elevadíssimo endividamento internacional que a nossa economia padece. Aliás, esta situação cria um curioso paradoxo: os sinais visíveis parecem mostrar que nunca se viveu tão bem em Portugal, estando o país cada vez mais pobre.
Colhe algum consenso que, das poucas opções viáveis que nos resta, ganhar quota no comércio internacional parece ser a via para resolver este persistente desequilíbrio das nossas contas externas. Ou seja, para garantir a viabilidade do país precisamos ter empresas fortemente competitivas, capazes de gerar bens transaccionáveis e focadas em mercados externos.
Se, do ponto de vista global, o problema parece estar cabalmente formulado, a nível empresarial há ainda um longo caminho a percorrer, sobretudo no que toca à inovação, à dimensão e às competências.
São problemas particularmente relevantes porque o país atingiu um estádio de desenvolvimento onde arrisca ficar “preso no meio” – com salários que são demasiado altos para competir com a Ásia e a Europa Central e Oriental na transformação de produtos de baixo valor acrescentado; e produtos que não oferecem uma percepção de valor suficiente para competir com economias mais avançadas.
Este desafio é gigante mas não impossível: os sectores e as empresas que são exemplo de sucesso no Mundo inteiro motivam!
Artigo publicado no Jornal "Meia-Hora" em 19-02-2009.
Publicada porSilva à(s) 08:32 2 comentários
Etiquetas: Luís Ferreira
Mínimo Denominador Comum
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Existirá um elemento comum que permite compreender a descida do rating internacional de Portugal, a falência da maior exportadora nacional e, por exemplo, o número crescente de talento que se vê obrigado a deixar o país? Por razões diversas, o mínimo denominador comum que encontro nestes fenómenos é o facto de vivermos num país adiado.
Um país que, com maiorias ou minorias, à esquerda ou à direita, não se consegue pôr de acordo em temas tão essenciais como a educação, a justiça e a segurança social, corre o sério risco de hipotecar o futuro.
Uma economia que não encontra a sua vocação estratégica e não sabe usar as suas competências nucleares, jamais será competitiva, vendo-se obrigada a ficar refém de decisões de outros, acumulando perdas e dívidas. Um tecido empresarial que não toma a excelência com padrão, apostando em profissionais qualificados capazes de impulsionar a mudança, perderá o desafio da competitividade.
A par dos grandes reptos, as crises trazem o ventre carregado da esperança de mudança. Com o terreno a ficar preparado, sejamos agora verdadeiramente oportunistas e utilizemos o momento para reformar Portugal: diminua-se o voraz apetite do Estado; foquemo-nos no essencial apostando numa ambição exigente; desenvolvam-se estratégias colectivas que sejam eficientes e globais; amparem-se as empresas com futuro e ajudem-se as outras a sair rapidamente de cena. Na verdade, só precisamos de orientar a nossa enorme energia criativa para os grandes desafios, certos que “o futuro não é previsto, ele é preparado”.
Publicado no jornal "Meia-hora" em 3-Fev-09.
Publicada porSilva à(s) 16:01 0 comentários
Etiquetas: Luís Ferreira
Um Estado Amargo
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
As recentes intervenções estatais na economia encobrem sinais preocupantes e perigosos.
Preocupantes, sobretudo, pelo exemplo. Com a substituição da mão invisível pelo pai protector, reina uma ideia de facilidade na abordagem aos sérios apertos que enfrentamos. Há um banco que se afunda? Nacionaliza-se diluindo as perdas. Um sector em crise? Alargam-se os milhões de apoio. Empresas pouco competitivas? Facilita-se o crédito. Ainda que algumas destas medidas sejam imperativas, impõe-se acompanhamento por outra visão – aquela de fundo, estrutural, dirigida ao âmago do problema e não aos seus sintomas.
Perigosas, na medida em que as opções tomadas, salvo raras excepções, escolhendo caminhos frágeis e de prazo curto, não resolvem “a equação”. Os nossos grandes constrangimentos – sendo que o aumento da competitividade do tecido económico constitui a questão de longo prazo mais fundamental e mais urgente a que Portugal deve responder – estão, uma vez mais, adiados. E assim o futuro hipotecado, num momento oportuno para apostar no essencial. Mas “o essencial é invisível aos olhos”...
Perplexo, vejo a resignação da maioria das empresas: pacificamente aceitam a expansão do Estado; indiferentes absorvem a dependência dos (parcos) apoios que lhes são concedidos. Exige-se mais determinação; ambição maior, prenha de visão estratégica que esclareça o rumo, impondo outras respostas – muito para além do betão público. Estaremos a ficar embriagados pelo crédito barato, pelas soluções imediatas, enfim, pela cosmética?
Como vamos pagar este manjar de facilidades?
Publicada porSilva à(s) 08:56 2 comentários
Etiquetas: Luís Ferreira
Subscrever:
Mensagens (Atom)

