Impacto da volatilidade dos preços das matérias-primas nos mercados alimentares









O contraste entre os mercados alimentares dos países europeus e dos países subdesenvolvidos é abissal. Senão vejamos: Foi notícia neste verão o grande aumento do preço das matérias-primas para a indústria alimentar, o que nos leva a pensar qual o impacto desta volatilidade de preços em duas famílias de rendimentos antagónicos. Assim, uma família padrão Europeia com uma receita mensal que ronde os 6.000 euros gasta 20% em alimentação, ou seja 1.200 euros. Destes 20%, apenas 10% são gastos em bens essenciais tais como leite, carne e cereais, ou seja estes últimos representam 2% do total gasto em alimentação, isto é apenas 24 euros. Em contraponto, uma família africana de um país subdesenvolvido e que aufere um rendimento mensal que ronda os 43 euros, gasta por mês em alimentação 80% desse rendimento, ou seja 34 euros. Desses, o arroz e os restantes cereais representam 70% do total da alimentação, ou seja representam 60% do total gasto em bens essenciais, isto é 20 euros e 40 cêntimos. Deste cenário se concluiu que, para os europeus, um aumento significativo no preço das matérias-primas, pouco impacto tem nos gastos mensais em alimentação base, no entanto, para uma família africana subdesenvolvida, é a diferença entre a subsistência e a fome. É certo que estamos a viver uma fase em que o preço das matérias-primas voltou a valores razoáveis, no entanto, a volatilidade destes preços ditará sempre a melhor ou pior sorte destes povos subdesenvolvidos, uma vez que a Europa mantêm uma política paternalista (porque lhe dá jeito escoar os excedentes) em vez de uma política de formação adequada e que permita o auto desenvolvimento desses países, nomeadamente neste sector primário. Verdade ou mentira?

Publicada porSilva à(s) 14:24 0 comentários  

PPP


Em 2003 foi introduzido no nosso ordenamento jurídico o conceito e o regime das Parcerias Público-Privadas Entende-se por PPP o contrato ou a união de contratos por via dos quais entidades privadas, designadas por parceiros privados, se obrigam, de forma duradoura, perante um parceiro público, a assegurar o desenvolvimento de uma actividade tendente à satisfação de uma necessidade colectiva, e em que o financiamento e a responsabilidade pelo investimento e pela exploração incumbem, no todo ou em parte, ao parceiro privado.

A contenção orçamental, sem diminuição da qualidade dos serviços prestados, impõe uma iniciativa privada reputada mais eficiente, ou com maior capacidade de prover os capitais necessários aos indispensáveis investimentos.
Este modelo de contratação não se resume apenas aos grandes projectos, mas pode e deve ser aplicado em projectos de interesse local, com parcerias entre autarquias e empresas de construção.

Trata-se de um instrumento com potencial para dinamizar a economia e o emprego, garantindo maior eficácia no desenvolvimento de projectos e viabilizando o seu financiamento.

Preceitua-se a partilha de riscos entre as entidades públicas e privadas atendendo à capacidade de cada parte para gerir esses riscos, ficando identificada no contrato com toda clareza. O risco da insustentabilidade financeira da PPP, por causa não imputável ao parceiro público ou por motivo de força maior, estabelece-se legalmente que deverá ser, tanto quanto possível, transferido para o parceiro privado.

Publicada porSilva à(s) 17:32 0 comentários  

Formação PME


O programa Formação-PME teve a sua primeira edição em 1997 e já beneficiou mais de 2300 empresas, apresentando alguns bons resultados, mas acima de tudo com muitas interrogações quanto à real concretização de milhares de horas e proveito de milhões de euros.

Esta 6ª edição surge com um novo élan, parte de uma metodologia já adoptada anteriormente, a MPPO (Metodologia de Planeamento de Projectos por Objectivos) com um upgrade assente em experiências de sucesso e recorrendo a ferramentas de diagnóstico com maior ênfase na dimensão estratégica da intervenção.

No contexto PME os empresários e dirigentes activos das empresas possuem experiência acumulada ao longo do seu percurso profissional, mas são avessos a linguagens herméticas, usualmente utilizadas por consultores e formadores. Esta metodologia aposta numa linguagem acessível, na participação de todos e na definição de objectivos com metas de curto/médio prazo úteis e alcançáveis.

A escolha das entidades responsáveis pela execução do programa na respectiva região/sector de intervenção foi mais criteriosa, e os consultores/formadores estarão obrigatoriamente certificados por um curso sobre a implementação da metodologia.
Penso que assim se pode responder de uma forma mais rigorosa a debilidades no nosso tecido empresarial que todos apontam, mas que poucos se disponibilizam para contrariar.
A reduzida formação dos nossos operários e principalmente a escassa visão estratégica dos nossos empresários pode ser combatida. Haja participação e envolvimento para "Fazer das Pequenas, Grandes Empresas"

Publicada porSilva à(s) 17:25 1 comentários  

O Futuro começa hoje


O valor médio da pensão nacional é de 646 euros/mês. As despesas domésticas são de 755 euros/mês. Ou seja há um défice de 109 euros/mês. Mais: 40% dos portugueses estão a preparar a reforma (o benchmark é 79% e é dos checos; a média europeia é de 55%) e 16% dos portugueses conhecem o valor da pensão (o benchmark é 54% e é dos alemães). Quem o diz é o barómetro 2008 da AXA.
As dificuldades (saúde/financeiras) são factores de mudança e normalmente isso implica começar a poupar. Sabendo ainda que o nível de vida cai 50% para o reformado, pergunto sómente se já começou a poupar, utilizando o vasto leque de produtos financeiros disponíveis no mercado, com ou sem risco de capital. É que não há tempo a perder, uma vez que a reforma deve ser um processo e não um acontecimento.

Publicada porSilva à(s) 15:36 0 comentários  

Ver o Mundo:

De novo, barbárie!


Foto: REUTERS/Stringer

Publicada porSilva à(s) 09:53 0 comentários  

A Crise em Construção

Muito se tem falado sobre a pertinência dos investimentos em grandes obras públicas. Pela perspectiva do interesse nacional as opiniões dividem-se, mas no seio do sector desta indústria a esperança permanece que o governo mantenha o que programou.

A fortíssima quebra que continua a verificar-se no segmento residencial está a arrastar a Construção para mais um ano, o sétimo consecutivo, de evolução negativa, perspectiva, aliás, confirmada pelo Banco de Portugal no seu relatório de Outono, onde avança uma quebra de 4% no investimento em Construção para 2008.

Por outro lado no 3º trimestre de 2008, as novas encomendas na construção e obras públicas registaram uma variação homóloga de 29,6% (4,8% no 2º trimestre) reflectindo o forte crescimento de 118,2% do segmento de Obras de Engenharia (58,6% no 2º trimestre).
Relativamente às PME’s a situação é especialmente difícil pela circunstância de que os apoios previstos para sustentação da actividade económica, no âmbito do QREN, afastarem, na generalidade dos casos, da respectiva elegibilidade estas empresas.

Está cada vez mais claro que o sector vagueia entre o naufrágio do segmento residencial, a bóia de salvação das grandes obras públicas e o inevitável bote da internacionalização, onde face às marés, uns se afundarão e outros se salvarão.

Publicada porSilva à(s) 13:54 0 comentários  

A "desgraça" por anunciar - ACTUALIZAÇÃO 2



Mais uma actualização relativamente à economia chinesa.

Segundo o JP Morgan o consumidor chinês já está a dar sinais de alguma ansiedade. É certo que o governo está a tentar segurar a confiança, mas não é nada certo que tenha sucesso. O comentário a este report do JPM pode ser visto aqui no Financial Times.

Signs are emerging that the anxiety gripping consumers around the
world is spreading to China, says Jing Ulrich, managing director and
chairman of China equities at JPMorgan. “Despite the global
economic slowdown, falling stock markets, multiple natural disasters
and a stagnant housing sector, Chinese consumer spending had been
remarkably resilient for most of this year – until what appears to have
been markedly slower growth following the “Golden Week holiday in early
October,” she says.

Ms Ulrich says major Chinese department
stores have seen lighter traffic in recent weeks and the outlook is for
continued deceleration in sales growth. “Our discussions with
operators have found a similar slowdown among some apparel and luxury
goods retailers. Even mass-market food retailers and fast food chains
have shown signs of moderation since mid-October.”

Os defensores da teoria do decoupling (ver aqui) têm razões para reverem as suas posições, o que aliás já está acontecer (ver aqui).

NEW YORK (Reuters) - The notion that the U.S. is no longer the driver
of world economic growth is in vogue on Wall Street, yet the idea that
Europe and Asia have "decoupled" from the American economic engine may
be more an investor hope than a sound investment theory.





Este era o texto de 12 de Novembro:

Apenas para dar nota de um dado novo a este texto. A China anunciou ontem que o seu superavit comercial foi o mais alto de sempre. Uma leitura desatenta resultaria numa conclusão simples: continuamos na mesma tendência, nada mudou, o "decoupling" está em curso. Mas isso não é verdade. Este record acontece devido ao abrandamento das importações. Da Economia sabemos que o Investimento é leading e o Consumo é lagging. Ou seja, já se nota a forte redução de investimento na China, mas as exportações [de bens de consumo] ainda resistem, se bem que já a desacelerar. Uma análise destes números pode ser encontrada aqui.

Os mais atentos poderão invocar o plano apresentado pela China como algo que evitará males maiores. Pode até ser que sim, mas deve dizer-se que a maior parte das despesas já tinham sido anunciadas ,pelo que não há muito de novo neste anúncio. Há realmente motivos para preocupação.







Este era o texto de 31 de Outubro:

Já toda a gente está a contar com um cenário no mínimo "cinzento" para os próximos tempos. Talvez grande parte das más notícias já se encontre descontada pelos mercados e por cada um de nós.
Mas parece ainda faltar um anúncio, uma má notícia por dar.

A China tem crescido a taxas perto de 10% nos últimos anos. Alguns analistas têm avisado que a economia chinesa já está a desacelerar, a ponto de este ano crescer "apenas" 7%. Infelizmente parece ser uma previsão optimista. A China pode já ter mesmo "parado" e a situação ser bem pior do que se diz. Alguns economistas "no terreno" têm dado conta do encerramento de muitas empresas, diminuição brusca do
consumo privado, mercado imobiliário em queda de 20% a 40%, excesso de stocks de matérias primas e queda de 30% no consumo de carvão nas centrais térmicas de produção de energia. Se a isto juntarmos a recente actuação do banco central e o excesso de navios nos portos, vazios e sem carga para transportar, temos razões para pensar que falta anunciar esta "desgraça" - o grande motor da economia mundial dos últimos anos já parou!

A crise só poderá "bater no fundo" quando todas as más notícias forem divulgadas. Até lá há que ter muita paciência e sangue frio. As empresas devem estar atentas à deterioração do seu ambiente operacional e que consequências isso terá na sua situação financeira. O nível de endividamento actual poderá ser adequado hoje, mas o mesmo pode não acontecer daqui a alguns meses. E nessa altura não é certo que a banca possa ter a liquidez necessária para emprestar a todos os que dela necessitam.

Filipe Garcia

Economista da IMF

Artigo publicado no jornal Meia Hora em 31 de Outubro de 2008 (pág. 9)


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