“Tendências: o que vem aí?” - Transmissão online

O Mercado Puro conta transmitir online e ao vivo o debate “Tendências: o que vem aí?”, a decorrer na EGP - UPBS na próxima 4ª feira às 19 horas.

O evento será muito mais interessante "ao vivo", até pela interacção que será possível ter com todos os presentes, mas aqui fica uma alternativa para quem estiver longe do Porto.

Publicada porUlf à(s) 15:39 0 comentários  

Tudo isto é novo... Qual será a melhor estratégia?

Se um executivo tem menos de 14 anos de experiência como gestor “sénior”, nunca teve de gerir os negócios numa situação de crise. Neste novo cenário, tudo parece novo.
Dada esta “inexperiência” levantam-se muitas dúvidas: qual será a melhor estratégia? Neste sentido ficam aqui algumas sugestões.

#1 Strategic Sourcing
Avaliar regularmente quais os custos directos e indirectos, procurar oportunidades de redução e possuir um sistema categorizado de custos, poderá permitir uma rápida mensuração dos retornos esperados pela renegociação de contratos com fornecedores e/ou cortes efectuados.

#2 Reestruturação das Actividades de Marketing
A maioria das empresas cai na “armadilha” de reduzir estas actividades. Alguns ganhos obtidos no ponto #1 poderão ser canalizados para promover a renovação de contratos com clientes, por períodos mais longos, de forma a enfraquecer e “bloquear” a concorrência. Claramente existem algumas oportunidades nesta crise.

#3 CRM System
Neste período de crise é imperativo que as empresas conheçam os seus clientes, logo sugere-se um investimento em SI, nomeadamente no CRM - Customer Relationship Management, melhorando-o e adaptando-o a esta nova realidade. Conhecendo melhor os seus clientes e mercados poderão ser tomadas decisões seguras em busca de maximizar a rentabilidade.

É importante que cada empresa, por si, encontre a melhor estratégia.

Muitas outras iniciativas poderão ser adicionadas ou poderá não concordar exactamente com a forma de implementação, no entanto neste período é importante debater para que cada empresa possa por si encontrar a melhor estratégia.

Vasco Oliveira - Planeamento e Controlo de Produção
oliveira.vasco@gmail.com
Publicado no Jornal Meia Hora




Publicada porSilva à(s) 02:57 0 comentários  

Puramente #9 - Outliers


Nome: Outliers - The Story of Success

 

Autor: Malcom Gladwell

 

Data: Novembro de 2008 - Little, Brown and Company

 

Frase: "Success follows a predictable course"

 

Keywords: Vantagem Inicial; Oportunidade; Regra das 10 mil horas; Legado Cultural; Discurso Mitigado


Apreciação: ***

 


Este é um livro sobre o sucesso e desempenhos extraordinários. Mas não confundir com um manual de "auto-ajuda", de relatos biográficos ou uma lista de fórmulas milagrosas. 


Segundo o autor, o "sucesso" é resultado de um número reduzido de detalhes. Basta que um desses factores se altere para que duas pessoas aparentemente com o mesmo potencial tenham percursos muito diferentes.


Para Malcom Gladwell há um enviesamento na forma como o sucesso é visto pela sociedade, normalmente como um processo de mérito individual. Pelo contrário, os desempenhos extraordinários são um produto do mundo, do contexto. Dependem de um certo talento natural, de alguma inteligência analítica, mas o que faz a diferença normalmente são as oportunidades, alguma sorte, muito treino, legado cultural e a chamada "inteligência prática" - saber o que dizer e a quem, quando dizê-lo e provocar o efeito pretendido com o que se diz ou faz. É dado o exemplo de como o indivíduo com o QI mais elevado dos EUA - Christopher Langan - tem uma vida aquém das expectativas.


É um livro bastante fácil de ler. Pode agradar a vários públicos já que, para além dos argumentos e conclusões do autor, há muitas descrições, detalhes e histórias. Aliás isso pode ser visto como um defeito em "Outliers", que poderia ter sido escrito com metade das páginas se a intenção fosse só transmitir as ideias. O livro está dividido em duas partes. Na primeira fala-se da Oportunidade e na segunda sobre o Legado. É nesta segunda parte que aparecem 50 páginas "obrigatórias" - Gladwell explica o que causa uma grande parte dos acidentes de avião, ligando-os ao legado cultural e ao discurso mitigado dos intervenientes. 


Apesar do enorme sucesso e "buzz" que já regista nos EUA, não me parece que vá ter o mesmo impacto disruptivo de "Blink" ou "The Tipping Point", livros em que o tom "contra a corrente" também está presente.


Em resumo, o "sucesso" segue um caminho previsível, não sendo sempre os mais inteligentes a alcançá-lo. Os "outliers" são aqueles a quem foram dadas oportunidades e tiveram a força e a capacidade de as aproveitar.





Publicada porUlf à(s) 04:38 1 comentários  

Ética vs Lei

A frase foi proferida por um administrador de uma das maiores empresas do país, num ambiente reservado, mas não restrito: “Os gestores têm o dever de não respeitar a lei, sempre que tal beneficie a empresa e seja ético”. Não é decerto uma afirmação consensual, mas será legítima?


Os maiores sábios da face do planeta passariam serões divertidos na busca de uma definição consensual de ética. Dificilmente o conseguiriam algum dia, sobretudo se fossem de educações distintas ou religiões diferentes. Os princípios morais – base para a construção dos limites da ética em cada cenário real - não são factos, mas variáveis de grande sensibilidade, influenciadas por complexas e multivitaminadas equações. Não encontro suficiente sustentação para a defesa da frase que acima está citada como verdade absoluta, sobretudo porque a lei resulta de uma voluntária aceitação de vida em sociedade, mas a maioria dos cidadãos parece aceitar que a ética está acima da lei no plano pessoal, mas não no empresarial/global. Se alguém lhe dissesse que para recuperar de uma doença necessitava de um fármaco não homologado – e portanto ilegal – mas eficaz, hesitava? Ético, mas não legal. E se lhe dissessem para o introduzir na sociedade sem homologação, apesar da sua eficácia?

Mais do que concretizar sobre a razão, importa pensar sobre o tema. Casos como o de Hugo Chavez são paradigmáticos na prova de que o cumprimento total da lei não serve para nada, comprometida esteja a ética, mas o comprometimento da lei em nome da ética não parece disparatado. Abre é caminho a um perigoso jogo de juízos de valor...
Artigo publicado no Meia Hora de 13/03/2009

Publicada porSilva à(s) 16:07 0 comentários  

Portugal é um esquema em pirâmide



Nouriel
Roubini continua em grande. Será com certeza o economista a quem a crise mais beneficiou em termos de notoriedade e reputação.

Hoje, perante uma pergunta de um jornalista sobre o caso Madoff, disse que toda a economia americana é um esquema Ponzi (de pirâmide). É difícil discordar dos argumentos de Roubini, mas o mais perturbador é que se estivesse a falar de Portugal, diria exactamente o mesmo.

Portugal é um esquema em pirâmide. Resta saber até quando dura...

Filipe Garcia
Economista da IMF


Abaixo segue parte do texto foi retirado do Alphaville do Financial Times)


(...)

A government that will issue trillions of dollars of new debt to pay for this severe recession and to socialize private losses may risk to become a Ponzi government if - in the medium term - does not return to fiscal discipline and debt sustainability.

A country that has - for over 25 years - spent more than income and thus run an endless string of current account deficit and has thus become the largest net foreign debtor in the world (with net foreign liabilities that are likely to be over $3 trillion by the end of this year) is also a Ponzi country that may eventually default on its foreign debt if it does not - over time - tighten its belt and start running smaller current account deficits and actual trade surpluses.

Whenever you persistently  consume more than your income year after year (a household with negative savings, a government with budget deficit, a firm or financial institution with persistent losses, a country with a current account deficit) you are playing a Ponzi game; in the jargon of formal economics you are not satisfying your long run intertemporal budget constraint as you borrow to finance the interest rate on your previous debt and you are thus following an unsustainable debt dynamics (discounted value of your debt growing without limit in NPV terms as the debt grows faster than the interest rate on it) that eventually leads to outright insolvency.

According to Minsky and according to economic theory Ponzi agents (households, firms, banks) are those who need to borrow more to repay both principal and interest on their previous debt; i.e. Minsky’s “Ponzi borrowers” cannot service neither interest or principal payments on their debts. They are called “Ponzi borrowers” as they need persistently increasing prices of the assets they invested in to keep on refinancing their debt obligations.

 (...)




Publicada porUlf à(s) 12:49 0 comentários  

Quebrar barreiras em tempo de crise

Devemos todos reflectir na importância do que diz um dos mais conceituados gurus de gestão, consultor há mais de 20 anos de diversas multinacionais, e co-autor de dois best-sellers da gestão: “Funky Business” e “Karaoke Capitalism”.

Para o sueco Kjell Nordstrom (que esteve em Portugal em Fevereiro para participar na conferência “Business Innovation in 2009”), a inovação e a emoção têm de dominar nas estratégias a concretizar. Na sua opinião, as companhias que melhor podem resistir a este cenário actual são as mais inovadoras e que, simultaneamente, têm maior proximidade com o consumidor, sendo capazes de o seduzir.

Para tal é necessário que as empresas percebam que fazer o mesmo que todos os outros fazem é uma má ideia pois os clientes não estão dispostos a pagar mais pelo mesmo... Por outro lado, terão de arriscar e a primeira coisa a fazer é contratar pessoas que tenham outro background, outra visão, pois os líderes do futuro como diz Kjell Nordstrom “serão uma combinação de “hard and soft”... como Richard Branson... ou Barack Obama... E, em breve, serão as mulheres. Muitas serão as líderes no futuro”.

Os líderes de futuro terão de ser duros, de cortar custos e tomar decisões críticas; mas também terão de ser emocionais e capazes de, agora mais do que nunca, entender os consumidores, motivar os empregados e antecipar as tendências que estão por vir. E esta é, claramente, uma vantagem competitiva para as mulheres.


Assim, depois de reflectir sobre estas palavras e, conhecendo a realidade portuguesa está claro que o caminho a percorrer é muito longo.

Margarida Matos - Gestora

Publicada porSilva à(s) 09:33 0 comentários  

Um comentário agridoce

Começam a aparecer alguns indicadores mais animadores.

Não se trata de dados muito concretos e nem se referem a Portugal, mas permitem ter alguma esperança de inversão do ciclo económico um pouco mais cedo do que é previsto pela maioria.
 

De uma forma simples pode dizer-se que os "indicadores avançados" são utilizados tentar antecipar o que vai acontecer à economia daqui a algum tempo. São uma espécie de "barómetro". E, tal como os barómetros comuns, são tão certeiros como ignorados. Por exemplo, foi assim em meados de 2007. Os indicadores avançados já mostravam que o crescimento estava a dar "as últimas", mas foi necessário chegar a Dezembro para que todos se apercebessem do que vinha a seguir. 

Os indicadores avançados ISM nos Estados Unidos e PMI na China estão a dar sinais encorajadores, melhorando pelo segundo mês consecutivo. Dá a sensação que o exagero na quebra da produção industrial começa a corrigir-se e que a liquidação de stocks está a chegar ao fim.

Como economista prefiro dar mais atenção a este tipo de dados do que aos indicadores mais mediáticos com o PIB, desemprego, consumo privado, entre outros. Esses números continuarão a sair negativos e, se é certo que são os que mais impacto têm no quotidiano de todos, não deixam de ser apenas o resultado do ciclo económico. São "old news" e por isso pouco úteis para tomar decisões.

A parte negativa deste comentário tem a ver com o que não me deixa estar tão optimista. Já se percebeu que a recuperação económica global não será possível sem a estabilização do sector financeiro. E isso, infelizmente, continua por resolver.

Filipe Garcia
Economista da IMF
Artigo publicado no jornal Meia Hora em 10 de Março de 2009


Publicada porUlf à(s) 17:32 3 comentários